Criar Uma Empresa

2.1- Métodos

Mente aberta, visionário, criativo, disposto a assumir riscos, comprometido e corajoso, flexível e adaptável, racional, disposto a cooperar com outros, auto-suficiente, procura o sucesso, interdependente, tem noção dos benefícios e dos custos e ser um sobrevivente. Estes são alguns dos traços típicos dos bons empresários.

2.1.1 – Método Tradicional

7 passos para criar uma empresa, segundo o Método Tradicional:

1º: Certificado de Admissibilidade de Firma

O pedido de Certificado de Admissibilidade de Firma é o primeiro procedimento a efectuar, seja qual for o estatuto jurídico escolhido para a empresa. A entidade responsável por assegurar que os elementos da firma são verdadeiros e não induzem em erro ou confusão quer na identificação do seu titular, natureza jurídica ou actividade da entidade é o Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC).

O Certificado de Admissibilidade e o respectivo Cartão Provisório de Identificação de Pessoa Colectiva devem ser solicitados pelo constituinte ou por um dos sócios da empresa junto do RNPC ou numa das sua delegações a funcionar nas Conservatórias de Registo Comercial.

Através da Direcção-Geral de Registos e Notariado (DGRN), este pedido de Admissibilidade já pode ser feito, via Internet, sendo que o sistema controla o pagamento prévio do serviço. Esta opção permite ao requerente acompanhar o processo do seu pedido através da Internet, bem como verificar se o nome que pretende já se encontra licenciado pelo RNPC.

2º: Cartão Provisório de Identificação de Pessoa Colectiva

O Cartão Provisório de Identificação de Pessoa Colectiva pode ser solicitado juntamente com o Certificado de Admissibilidade ou em qualquer altura até à data de conclusão do processo de constituição da empresa.

3º: Depósito do Capital Social da Empresa

O capital da sociedade deve ser depositado em instituições de crédito numa conta aberta em nome da futura sociedade.

4º: Escritura Pública

Tendo cumprido todos os passos anteriores, é já possível efectuar a escritura pública. De acordo com o Decreto-Lei 76-A/2006, de 29 de Março, este passou a ser um passo facultativo, excepto nos casos em que se verifique a transmissão de um bem imóvel, uma vez que para estes continua a ser necessária a escritura. A documentação a apresentar perante o Notário é a seguinte:
• Certificado de Admissibilidade;
• Documento comprovativo de que o depósito do capital social foi efectuado ou declaração dos sócios de que procederam ao depósito;
• Documentos de identificação de todos os sócios;
• Outros documentos que se revelem necessários

5º: Declaração de Início de Actividade

No prazo de 15 dias após a apresentação do registo deve ser apresentada a declaração de início de actividade num Serviço de Finanças ou em www.e-finanças.gov.pt . Com esta declaração pretende-se a regularização da situação da empresa, a fim de dar cumprimento às suas obrigações de natureza fiscal.

6º: Registo Comercial

Para efectuar o registo da empresa é necessário promover o registo junto da Conservatória de Registo Comercial correspondente ao da sede da empresa.

A conservatória promove oficiosamente a publicação do registo na Internet e comunica o acto ao RNPC para efeitos de inscrição no Ficheiro Central de Pessoas Colectivas e emissão do cartão definitivo de identificação de pessoas colectivas caso os interessados o requeiram.

7º: Inscrição na Segurança Social

A inscrição das entidades empregadoras na Segurança Social é um acto administrativo, mediante o qual se efectiva a vinculação ao Sistema de Solidariedade e Segurança Social, atribuindo-lhes a qualidade de contribuintes.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.1.2- Empresa na Hora

Num único balcão e de forma imediata, consegue constituir uma sociedade unipessoal, por quotas ou anónima. Processo simples, uma vez que deixa de deixa de ser necessário a celebração de escritura pública e a obtenção prévia do certificado de admissibilidade da firma, junto do Registo Nacional de Pessoas Colectivas.

Na Região Autónoma dos Açores a modalidade Empresa na Hora está presente em São Miguel (Ponta Delgada) e na Terceira (Angra do Heroísmo) nas Conservatórias de Registo Comercial.

8 passos para criar uma Empresa na Hora:

1º: Escolher uma firma

Da lista de firmas pré-aprovadas, constante no site http://www.empresanahora.pt/ ou consultando a lista que lhe será facultada no balcão de atendimento Empresa na hora, deverá escolher uma.

A firma escolhida só será reservada no momento em que se dirigir ao balcão e iniciar a constituição da sociedade. Como tal, a firma que pretende utilizar, apesar de estar disponível neste sítio ou na lista que lhe for facultada, poderá já não estar disponível no momento em que se dirigir ao balcão. À firma pré-aprovada poderá sempre adicionar uma expressão alusiva ao objecto da sociedade. Por exemplo, se a firma escolhida for “ABCDE” e se a sociedade se dedicar à actividade de restauração e bebidas, a firma poderá ser alterada para “ABCDE – Restauração e Bebidas”.

2º: Escolher um dos modelos de pactos sociais (estatutos) pré-aprovados;

3º: Dirigir-se a um balcão Empresa na Hora para iniciar o processo de Constituição;

Se os sócios da sociedade a constituir forem pessoas singulares, deverão levar consigo:
• Cartão de contribuinte;
• Documento de identificação (bilhete de identidade, passaporte, carta de condução ou autorização de residência).
• Cartão de beneficiário da Segurança Social (facultativo)

Se os sócios da sociedade a constituir forem pessoas colectivas, deverão levar consigo:
• Cartão de contribuinte de pessoa colectiva ou cartão de identificação de pessoa colectiva;
• Código de acesso à Certidão Permanente ou Certidão de Registo Comercial em papel, actualizada;
• Acta da Assembleia-Geral que confere poderes para a constituição de sociedade.

4º: O custo deste serviço é de €360, ao qual acresce imposto de selo à taxa de 0,4% sobre o valor do capital social.

Este valor será pago no momento da constituição, em numerário ou cheque. Nas sociedades cujo objecto social seja o desenvolvimento tecnológico ou a investigação o custo do serviço é de €300, aos quais acresce o imposto de selo.

5º: No balcão será elaborado o pacto da sociedade e será efectuado o registo comercial.

6º: De imediato receberá
• Certidão do Pacto Social;
• O código de acesso à Certidão Permanente de Registo Comercial, pelo prazo de um ano ou, em alternativa, pelo prazo de três meses acompanhado de Certidão em papel;
• Cartão de Pessoa Colectiva;
• Número de segurança social da empresa.

7º: Indicar o Técnico Oficial de Contas

No momento da constituição da sociedade pode indicar desde logo o Técnico Oficial de Contas ou escolher um da Bolsa de TOC disponibilizada, para efeitos da entrega desmaterializada da Declaração de Início de Actividade. Também pode entregar no serviço de atendimento da Empresa na Hora a Declaração de Início de Actividade devidamente preenchida e assinada pelo Técnico Oficial de Contas. Se não o fizer de imediato, deverá fazê-lo nos 15 dias seguintes à data de constituição.

8º: Depositar o valor do capital social

No prazo máximo de 5 dias úteis após a constituição, os sócios estão obrigados a depositar, em qualquer instituição bancária, o valor do capital social em nome da sociedade.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.1.3- Empresa Online

O regime jurídico da Empresa Online permite a constituição, por via electrónica, no endereço www.portaldaempresa.pt, de sociedades comerciais e civis sob forma comercial, do tipo por quotas, unipessoal por quotas e anónimas.

Exceptuam-se:
• as sociedades cujo capital seja realizado com recurso a entradas em espécie em que, para a transmissão dos bens com que os sócios entram para a sociedade, seja exigida forma mais solene do que a forma escrita.
• as sociedades anónimas europeias.

6 passos para criar Empresa Online:

1º: Aceder ao site www.portaldaempresa.pt;

2º: Escolher a firma da sociedade comercial.

Estão disponíveis três possibilidades:
• A opção por uma firma pré-aprovada como na modalidade Empresa na Hora;
• A obtenção de uma firma admissível escolhida pelos interessados por via exclusivamente electrónica;
• O envio de um Certificado de Admissibilidade de firma previamente obtido através de um meio não electrónico.

3º: Indicar os dados de identificação dos sócios;

4º: Escolher o pacto social.

Aqui existem duas opções:
• A escolha de um pacto social ou acto constitutivo de modelo aprovado por despacho do Director-Geral dos Registos e Notariado
• A apresentação do pedido com envio de pacto ou acto constitutivo elaborado e submetido pelos interessados.

5º: Enviar, através do site, os documentos que se mostrem necessários;

6º: Pagar por via electrónica.
• €180 se o pacto escolhido for de modelo pré-aprovado, ou €120 caso haja redução;
• €380 se o pacto tiver sido elaborado pelos sócios, ou 320€ caso haja redução;
• Imposto de Selo igual a 0,4% do Capital Social. Caso seja uma Sociedade Gestora de Participações Sociais (SGPS) esta parcela não é aplicável.

Mais tarde, os serviços acusam a recepção do pedido e enviam um comprovativo por e-mail, registam o pedido e avisam que a sociedade foi constituída enviando um e-mail e uma mensagem sms e enviam por correio uma certidão do registo da sociedade e o cartão de pessoa colectiva.

Perguntas e Respostas – Empresa Online:

P1: O que permite a Empresa Online?
R1: Entre outras coisas, a Empresa Online permite:
• A constituição de empresas por via electrónica, sem necessidade de deslocações físicas;
• A criação de empresas de forma rápida. Prevê-se que o registo da sociedade seja imediato ou se realize no prazo máximo de dois dias úteis após o pagamento dos encargos, consoante o pacto social adoptado tenha resultado de uma escolha de entre os pactos pré-aprovados ou do envio de um pacto elaborado pelos interessados;
• A criação de empresas de forma menos onerosa, pois o custo será inferior ao da constituição de sociedades comerciais pela via tradicional.
• A obtenção automática de um registo de domínio .pt na Internet, a partir da firma escolhida, atribuído pela Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN);
• A adesão online a centros de arbitragem;
• A entrega desmaterializada da declaração de início de actividade nas finanças.

P2: Quem pode criar uma Empresa Online?
R2: A empresa Online pode ser criada por qualquer interessado, desde que possua uma assinatura electrónica qualificada ou, através de advogados, solicitadores ou notários que possuam certificado digital.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.1.4- Outras Formas de iniciar um negócio

Aquisição de uma empresa existente

Iniciar uma actividade empresarial através da compra ou da participação no capital de uma empresa já existente, pode constituir uma boa forma de entrar no mundo empresarial atenuando, de algum modo, o possível risco de entrada num novo negócio.

3 Modalidades:
- Trespasse: Traduz-se na aquisição de uma conjunto de elementos patrimoniais, afectos a determinado local, e que permitem o exercício de uma actividade, seja comercial, industrial ou de serviços. Esses elementos poderão ser corpóreos, como é o caso mais vulgar das instalações ou equipamentos, ou podem ser incorpóreos como o nome, a marca, os clientes, a propriedade industrial, os alvarás, as licenças, o direito ao arrendamento, entre outros.
- Cessão de quota: Consiste na aquisição total ou parcial de uma empresa, o que só é possível no caso de sociedades comerciais.
- Fusão: Acontece quando uma empresa absorve outra, assumindo os seus créditos (direitos sobre terceiros e bens activos) e débitos (responsabilidades perante terceiros).

Franchising

O Franchising é um modelo empresarial em parceria através do qual uma empresa, com um formato de negócio já testado com sucesso, concede a terceiros o direito de explorar os seus produtos ou serviços, de usar a sua marca comercial e ainda de implementar os seus métodos de gestão, recebendo contrapartidas financeiras.

- Custos Associados
Os requisitos de investimento num franchising variam consoante a indústria e o tipo de negócio em causa. Além dos encargos fixos envolvidos na manutenção e desenvolvimento do negócio, como as verbas de Direito de Entrada, os royalties sobre a facturação e as taxas publicitárias praticadas em alguns casos, poderão existir outros custos a considerar como a aquisição de produtos ou serviços ao franchisador ou a aquisição ou aluguer do ponto de venda e dos respectivos equipamentos.

- Leque de Ofertas
A flexibilidade do franchising leva a que o mesmo se possa adaptar a todos os sectores de actividade e, logo, a qualquer tipo de negócio, desde a restauração aos serviços de limpeza ou de assistência informática, ou às agências imobiliárias, entre muitos outros exemplos.
Entidades como o Instituto de Informação e Franchising – IIF (http://www.infofranchising.pt/) ou a Associação Portuguesa de Franchise – APF (http://www.apf.org.pt/apf/) costumam manter listas de oportunidades nesta área, dando a conhecer os projectos, nacionais e internacionais, que estão a franchisar os seus negócios.

- Investigar a escolha
Depois de feita a escolha, o futuro empresário deverá assegurar-se da viabilidade da mesma. Nesta altura o conselho passa por conhecer mais da rede de franchising a que se pretende aderir, marcando entrevistas com o franchisador, mas falando igualmente com os outros franchisados. O objectivo é perceber quem é o franchisador e qual o seu histórico, se o franchising está bem organizado, se tem boa aceitação por parte do público, se dá lucro aos outros franchisados, quantos franchisados deixaram a marca nos últimos anos, em que condições e porquê, etc.
Se possível, deve-se tentar perceber junto dos reguladores, neste caso a Autoridade da Concorrência (http://www.concorrencia.pt/), e das instituições de defesa do consumidor, como a DECO (http://www.deco.proteste.pt/), se existe algum problema ou queixa relativamente às empresas em questão.

- Assinatura do contrato
Um processo de franchising deve implicar o acompanhamento, ou pelo menos a consulta, de um jurista entendido na matéria, de modo a que se possa proceder a uma análise cuidada do contrato, antes da assinatura do mesmo. É necessário ter em consideração que este tipo de contratos não está regulamentado no nosso regime jurídico, logo existe liberdade contratual entre as partes e uma margem para negociação.

Spin-off

O Spin-Off resulta do apoio de uma empresa na criação de uma nova, constituída a partir da saída de alguns colaboradores ou de um departamento ou serviço e tendo como objecto a actividade anteriormente exercida.
A sustentação deste formato baseia-se no facto de algumas empresas disporem de um grau de verticalização, insustentável para a sua grande maioria, desejando por isso “emagrecer” a sua estrutura, adquirindo ou subcontratando ao exterior tudo aquilo que não consideram vital ou estratégico para o seu negócio.
Esta necessidade de “emagrecimento” veio proporcionar as condições para a saída das empresas de pessoas, individualmente ou em grupo, a quem são facilitadas condições para que possam lançar uma futura actividade empresarial suportada pelas competências transferidas da empresa de onde são originários.
Esta fórmula possui vantagens para ambas as empresas, desde que o processo seja conduzido amigavelmente, uma vez que permitirá à empresa conseguir, normalmente com custos baixos, cumprir os seus objectivos de “emagrecimento” e aos colaboradores que a abandonam cumprirem os eventuais desejos de exercerem uma actividade por conta própria.

MBI ou MBO

Uma operação de Management Buy Out (MBO) consiste na aquisição do capital social de uma empresa pelos seus quadros, passando estes a dispor de uma posição maioritária.
Já o Management Buy In (MBI) difere do facto de os adquirentes serem pessoas estranhas à empresa.

Fonte: Manual do Empreendedor


2.2 – Formas Jurídicas

Na criação de uma empresa a escolha da forma jurídica da sociedade tem implicações tanto para o empresário como para o futuro empreendimento.
A opção por um determinado estatuto jurídico, deve ser tomada de modo a valorizar os pontos fortes da futura empresa tendo, no entanto, em atenção as características que melhor se adaptem às expectativas de desenvolvimento.

2.2.1 – Empresário em nome Individual

A empresa que tem o estatuto jurídico de Empresário em Nome Individual é titulada por uma única pessoa que pode desenvolver a sua actividade em sectores como o comercial, industrial, de serviços ou agrícola.

Os bens do Empresário em Nome Individual passam a estar directamente afectos à exploração da sua actividade económica e os credores de dívidas serão satisfeitos com os bens que integram a totalidade do seu património, isto é, não existe separação entre o seu património pessoal e o património afecto à sociedade que tutela. A responsabilidade do empresário confunde-se com a responsabilidade da sua empresa.
Para iniciar a sua actividade, o empresário necessita de se inscrever na Repartição de Finanças da sua área de residência.

- Características
• O proprietário responde de forma ilimitada pelas dívidas contraídas no exercício da sua actividade perante os seus credores, com todos os bens pessoais que integram o seu património e os do seu cônjuge. O inverso também acontece, ou seja, o património afecto à exploração também responde pelas dívidas pessoais do empresário e do cônjuge.
• A firma que matricular será constituída pelo nome civil completo ou abreviado do empresário individual e poderá, ou não, incluir uma expressão alusiva ao seu negócio ou à forma como pretende divulgar a sua empresa no meio empresarial.
• Cada indivíduo apenas pode deter uma firma.
• O Empresário em Nome Individual não é obrigado a ter um capital mínimo para iniciar a sua actividade.
• As empresas juridicamente definidas como “Empresário em Nome Individual” também não necessitam de contrato social.

- Vantagens
• O controlo absoluto do proprietário único sobre todos os aspectos do seu negócio;
• A possibilidade de redução dos custos fiscais. Nas empresas individuais, a declaração fiscal do empresário é única e inclui os resultados da empresa. Assim, caso registe prejuízos, o empresário pode englobá-los na matéria colectável de IRS no próprio exercício económico a que dizem respeito;
• A simplicidade, quer na constituição, quer no encerramento, não estando obrigado a passar pelos trâmites legais de uma sociedade comercial.
• O empresário individual não está obrigado a realizar o capital social.

- Desvantagens
• O risco associado à afectação de todo o património do empresário, cônjuge incluído, às dívidas da empresa.
• Dificuldade em obter fundos, seja capital ou dívida, dado que o risco de crédito está concentrado num só indivíduo.
• O empresário está inteiramente por sua conta, não tendo com quem partilhar riscos e experiências.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.2.2 – Sociedades Unipessoais por quotas

Nas Sociedades Unipessoais por Quotas a direcção e a responsabilidade são assumidas por uma só pessoa, o titular da totalidade do capital social, que corresponde a um montante mínimo de cinco mil euros. Em caso de dívida, os credores recebem apenas os bens que constituírem o património social.

O nome da firma destas sociedades deve ser formado pela expressão “Sociedade Unipessoal” ou pela palavra “Unipessoal” antes da palavra “Limitada” ou da abreviatura “Lda.”.

- Vantagens

• A responsabilidade do proprietário resume-se ao capital social, ou seja, o seu património não responde pelas dívidas contraídas no exercício da actividade da empresa (que possui um património autónomo);
• O controlo sobre a actividade da empresa é igual ao da empresa individual, uma vez que existe apenas um proprietário.

- Desvantagens

• Maior complexidade na constituição da sociedade, uma vez que esta deve obedecer aos mesmos requisitos que qualquer sociedade comercial;
• Impossibilidade de obter determinadas vantagens fiscais, resultantes do englobamento dos resultados da empresa na matéria colectável de IRS;
• A constituição de sociedades unipessoais exige a realização, em dinheiro ou em bens avaliáveis em dinheiro, do capital social, ainda que essa realização possa ser diferida no tempo.

- Recomendações

Esta figura jurídica é mais aconselhável para negócios em que o investimento necessário é reduzido, à semelhança do que acontece com as empresas individuais.

Assim, a escolha entre uma e outra figura dependerá do risco de negócio (a sociedade unipessoal é aconselhável para negócios de maior risco, pois o património do empresário não responde pelas dívidas da empresa) e da existência ou não de economias fiscais resultantes do não pagamento de IRC em detrimento do pagamento de IRS.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.2.3 – Sociedades por quotas

Em sociedades por quotas o capital está dividido em quotas e os sócios são solidariamente responsáveis apenas pelas entradas convencionadas no contrato social.

- Características

• O número mínimo de sócios de uma sociedade por quotas é de dois.
• O montante mínimo do capital social é de €5.000, sendo dividido em quotas cujo valor nominal não pode ser inferior a €100
• O capital social não tem que ser integralmente realizado no momento em que o pacto social é outorgado (podem ser diferidos 50% das entradas em dinheiro, desde que o capital mínimo fique logo realizado);
• A gestão das sociedades por quotas é exercida por uma ou mais pessoas singulares, designadas de Gerentes, não sendo obrigatório que os mesmos sejam sócios da sociedade;
• Caso tal se encontre previsto nos estatutos da sociedade, a Assembleia-geral pode proceder à eleição do Órgão de Fiscalização; • O Código Comercial dispõe que, no mínimo, 5% do resultado líquido do exercício, caso o mesmo seja positivo, deve ser afecto à constituição ou reforço da Reserva Legal. Esta obrigação cessa quando o fundo em questão represente, pelo menos, 20% do capital social. A Reserva Legal apenas pode ser utilizada para aumentar o capital ou absorver prejuízos; • A responsabilidade dos sócios tem uma dupla característica: é limitada e solidária; é limitada porque está circunscrita ao valor do capital social. Quer isto dizer que por eventuais dívidas da sociedade apenas responde o património da empresa e não o dos sócios; é solidária na medida em que, no caso do capital social não ser integralmente realizado aquando da celebração do pacto social, os sócios são responsáveis entre si pela realização integral de todas as entradas convencionadas no contrato social (mesmo que um dos sócios não cumpra com a sua parte).

- Vantagens

• A responsabilidade dos sócios é limitada aos bens afectos à empresa, havendo uma separação clara do património da empresa. Logo, o risco pessoal é menor;
• A existência de mais do que um sócio pode garantir uma maior diversidade de experiências e conhecimentos nos órgãos de decisão da empresa;
• Há maior probabilidade de se garantir os fundos necessários, pois podem ser mais pessoas a entrarem no capital da empresa e o crédito bancário tende a ser mais fácil.

- Desvantagens

• Um sócio pode ser chamado a responder perante os credores pela totalidade do capital.
• O empresário não tem o controlo absoluto pelo governo da sociedade, já que existe mais do que um proprietário.
• As sociedades por quotas são mais difíceis de constituir e dissolver por imperativos formais de carácter legal e, sobretudo, pela necessidade de acordo entre os sócios.
• Os sócios não podem imputar eventuais prejuízos do seu negócio na declaração de IRS (os resultados das sociedades são, obviamente, tributados em sede de IRC).
• É obrigatória a entrada dos sócios com dinheiro ou, pelo menos, com bens avaliáveis em dinheiro.

- Recomendações

Este tipo de sociedades é indicado para os empresários que queiram partilhar o controlo e a gestão da empresa com um ou mais sócios, nomeadamente quando não possuem todos os conhecimentos e competências necessários à condução do negócio.

Fonte: Manual do Empreendedor

2.2.4 – Sociedades anónimas

Nas sociedades anónimas o capital é dividido em acções e cada sócio limita a sua responsabilidade ao valor das acções que subscreveu. São sociedades de responsabilidade limitada no rigoroso sentido do conceito, porquanto os sócios limitam a sua responsabilidade ao valor das acções por si subscritas. Assim, os credores sociais só se podem fazer pagar pelos bens sociais.

- Características

• O número mínimo de accionistas aquando da constituição é de cinco, os quais podem ser pessoas colectivas ou singulares. Contudo é possível constituir uma sociedade anónima com um único titular desde que o mesmo seja uma sociedade;
• O valor nominal mínimo do capital é de €50.000, representado por acções com igual valor nominal;
• Podem ser adoptados dois modelos distintos relativamente à gestão das sociedades anónimas, podendo a gestão ser exercida pelo Conselho de Administração, ou pelo Conselho Geral e Direcção;
• A fiscalização da sociedade é da responsabilidade do respectivo Órgão de Fiscalização, o qual pode assumir a figura de um Fiscal Único ou de Conselho Fiscal;

- Vantagens

• Existe uma maior facilidade na transmissão dos títulos representativos da sociedade, seja por subscrição privada ou pública.
• A responsabilidade dos sócios está confinada ao valor da sua participação, não respondendo de forma solidária com os sócios pelas dívidas da sociedade.
• A obtenção de montantes de capital mais elevados é mais fácil, seja pela via da emissão e venda de novas acções da empresa ou através de financiamento bancário.

- Desvantagens

• Existe, em regra, uma maior diluição do controlo sobre a empresa. Existem regras para a protecção dos accionistas minoritários, que podem bloquear decisões importantes, como fusões e aquisições de empresas.
• É uma forma de organização mais dispendiosa, pois requer procedimentos burocráticos mais complexos ao nível da sua constituição e dissolução.
• Se for cotada num mercado de capitais, a empresa está sujeita a uma fiscalização rigorosa por parte das entidades reguladoras (em Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários – CMVM) e do próprio mercado em geral.

- Recomendações

A sociedade anónima é, sobretudo, indicada para empresas com volumes de negócios de alguma dimensão que necessitam garantir financiamentos (seja através do crédito bancário, seja da entrada de novos accionistas) de alguma envergadura para crescer.

Fonte: Manual do Empreendedor

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